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Para Refletir – Quem e como está a influenciar os jovens a ler?

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Para Refletir – Quem e como está a influenciar os jovens a ler?

Nunca se falou tanto da influência do BookTok e Bookstagram na escolha dos livros, mas um novo estudo chegou à conclusão que talvez não influenciem assim tanto.

Um estudo conduzido pela Universidade Católica Portuguesa para a Wook, concluiu que os portugueses confiam mais nos amigos e na família do que nos influenciadores digitais para comprar livros.

Este resultado surpreendeu a Wook e seguramente outras editoras, que recorrem aos influenciadores digitais para apresentarem os seus livros ao público.

Como são classificados os livros pelos influenciadores digitais

Muitos influenciadores digitais recebem regularmente livros das editoras e promovem-nos nas suas contas de Instagram e TikTok.

Se gostas de ler, já viste com certeza estes vídeos e até assististe a classificações dadas pelos influenciadores após a leitura dos livros.

Se até agora se acreditava que o crescimento da leitura de livros na população mais jovem se devia a esta influência, este estudo vem provar que talvez não seja bem assim.

Há quem comece a pôr em causa se os influenciadores lêem realmente os livros que promovem e se a classificação que é dada às leituras é verdadeira ou influenciada pelas editoras.

Como é óbvio, não se pode generalizar esta situação, pois existem influenciadores digitais bastante conscientes nas suas avaliações, mas talvez os portugueses comecem a estar mais céticos em relação a este tipo de influência na escolha dos livros que lêem e prefiram confiar mais em amigos e familiares.

Novo estudo alerta para o perigos do BookTok e Bookstagram

Os estudos que têm sido feitos, revelam que os jovens estão a ler mais, mas será que estão a ler os livros adequados?

Recentemente surgiu na Austrália um estudo que fez soar os alarmes para este tipo de influência digital, em particular na compra de livros para jovens adultos.

A Dra. Emma Hussey, pesquisadora associada do Instituto de Estudos de Proteção à Criança da Australian Catholic University, alertou que muitos destes livros normalizam a violência no namoro e a violência doméstica, o que deixou os pais preocupados.

Por trás de capas bonitas e histórias de contos de fadas, esconde-se uma normalização do ciúme, da perseguição, da manipulação e da violência, como uma prova de amor.

Segundo este estudo, 65% dos livros para jovens adultos existentes nas bibliotecas escolares, ou seja dois em cada três livros, contêm a descrição de cenas explícitas de violência que são romantizadas.

Quem deve estar alerta para o que os jovens estão a ler?

A Dra. Emma Hussey, defende que as escolas devem ser mais criteriosas na escolha dos livros que estão nas escolas e os pais também devem estar atentos aos livros que os filhos compram e estão a ler, pois existem crianças com 12 e 13 anos a ler este tipo de livros.

Apesar destes livros estarem dirigidos para um público adulto, essa classificação não está explícita nos locais de venda e a Dra. Emma Hussey defende que os pais devem estar atentos aos livros que os filhos compram e dialogar mais com eles sobre este assunto, não como forma de controlar o que eles lêem, mas como uma preocupação na sua formação.

A indústria do cinema e dos jogos há muito que é alvo de críticas pela mesma situação, mas este resultado em relação aos livros foi uma surpresa.

Quando questionada sobre se devem alterar as classificações dos livros, a Dra. Emma Hussey, prefere defender uma campanha de consciencialização e responsabilização dos pais, para que estejam atentos ao que os filhos estão a ler.

Será que a leitura destes livros já se reflete nas estatísticas de violência no namoro e doméstica?

Ainda que não se possa estabelecer uma relação, pois são vários os fatores que influenciam os números, o que é fato é que a violência no namoro em Portugal tem vindo a aumentar.

O estudo anual sobre a Violência no Namoro, levado a cabo pela ART’THEMIS+UMAR, revelou os dados de 2025 e mais uma vez os resultados são preocupantes.

O questionário dirigido a 6732 jovens entre os 12 e 22 anos (3619 são do género feminino, 3020 do género masculino e 57 de outros géneros, 36 optaram por não responder), considerou para o efeito deste estudo os seguintes comportamentos considerados violentos: Controlo, Violência Psicológica, Perseguição, Violência Sexual, Violência Através das Redes Sociais e Violência Física.

Os resultados finais do estudo foram os seguintes:

  • 63,6% não consideram que o controlo seja considerado violência no namoro.
  • 35,3% não consideram a violência psicológica como violência no namoro.
  • 35,4% não consideram a perseguição como violência no namoro.
  • 34,2% não consideram a violência sexual como violência no namoro.
  • 19,4% não consideram a violência nas redes sociais como violência no namoro.
  • 8,8% não consideram a violência física como violência no namoro.

Estes resultados são preocupantes, com a agravante de que se verificou em relação a 2024, um aumento da legitimação das formas de violência questionadas.

Quando vamos parar para refletir?

Na minha opinião a reflexão deve partir das editoras que publicam este tipo de livros e a forma como os divulgam; dos influenciadores digitais que devem estar mais atentos ao seu público e devem ser mais cuidadosos ao divulgar os livros; das escolas que devem ter o cuidado de catalogar os livros das bibliotecas de uma forma mais criteriosa, tendo em conta a idade dos seus alunos; dos pais, que devem dialogar mais com os filhos e estar mais atentos ao que eles consomem.

Num mundo em que se fala cada vez mais em saúde mental, autoestima e amor-próprio, este é o momento de refletir sobre o que queremos deixar para o futuro.

A liberdade de escolher o que se lê deve continuar a existir, mas com responsabilidade e principalmente com atenção ao que se ensina aos mais jovens.

O que pensas sobre este tema? Deixa a tua opinião nos comentários.

Fontes de informação: sicnoticias.pt | www.4bc.com.au | www.cig.gov.pt

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