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Fatinha Ramos: Da Vulnerabilidade à Resiliência

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Fatinha Ramos: Da Vulnerabilidade à Resiliência

Fátima Ramos, mais conhecida como Fatinha, é uma ilustradora portuguesa que tem visto o seu trabalho reconhecido um pouco por todo o mundo, recebendo distinções e prémios. As suas ilustrações estão presentes em vários locais como museus, galerias, em peças da Vista Alegre e até em capas de livros.

Fatinha colaborou com o MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), Google, Netflix, TIME , The New York Times , The Washington Post , Tate Modern, Anistia Internacional, Parlamento Europeu e a cidade de Antuérpia.

O seu trabalho foi premiado pela Communication Arts , Society of Illustrators (NY), American Illustration Awards, 3×3 , Cannes Lions e muitos outros. Ela é vencedora do Prémio Patrick Nagel de Excelência, de dois prémios de ouro nas categorias Institucional e Infantil (SILA), e vencedora geral e da categoria Profissional do World Illustration Awards.

Os que conhecem o seu trabalho, reconhecem o seu enorme talento, mas poucos conhecem a sua história de vida inspiradora e os obstáculos que ela teve que ultrapassar para seguir o seu sonhos.

Da falta de esperança à superação

Fatinha nasceu em Aveiro com uma condição física rara que fez com que os médicos lhe dessem dois meses de vida. À nascença, Fatinha tinha trinta fraturas no corpo e não havia esperança!

Mas contra todas as probabilidades ela foi crescendo, ainda que na infância tivesse que passar temporadas no hospital cada vez que partia as pernas. Foi a necessidade de fugir da realidade da cama do hospital e de “dar asas às suas pernas”, que a fizeram começar a desenhar .

Ela diz que os seus ossos não eram resilientes mas ela era e foi a sua resiliência que a fez chegar até aos dias de hoje. Felizmente na adolescência os seus ossos deixaram de partir e ela começou a aproveitar a vida com os amigos, a divertir-se e a dançar.

Fatinha diz que foi várias vezes subestimada durante a vida, por ser rapariga, por querer ser artista e porque tem uma limitação física visível, mas tudo o que ela superou na vida fez com que decidisse que nunca iria desistir dela própria.

“Todos estes fatores e a opinião das outras pessoas não me vão limitar na forma como eu me defino. Eu abracei a minha vulnerabilidade e aceitei a minha condição. Por isso tornei-me resiliente.”

As mudanças para conquistar o sonho

Depois do liceu, Fatinha decidiu ir estudar Artes para o Porto e foi viver para um apartamento num primeiro andar só com acesso por escadas, tendo que superar diariamente a tarefa de as subir. Ela diz que durante os quatro anos da licenciatura se divertiu, foi a festas com os amigos e fez tudo o que quis.

Quando terminou o curso, Fatinha foi viver para a Bélgica e acabou por trabalhar como diretora de arte e designer gráfico. Mas o seu maior sonho era tornar-se artista e ilustradora.

“Sabes quando tens um sonho e estás a adiá-lo o tempo todo? Amanhã. Na próxima semana. Eu demorei doze anos, mas houve um dia que eu decidi vou arriscar, porque se eu cair vou voltar a andar.”

Para se lançar profissionalmente, decidiu organizar uma exposição do seu trabalho como ilustradora em Antuérpia, à qual chamou “INQUEBRÁVEL” e para que ninguém falhasse à inauguração, marcou-a no dia do seu aniversário para que todos se sentissem na obrigação de ir ao evento.

A primeira obra de Fatinha é a ilustração de um elefante com pés muito pequeninos apoiados em canas de bambu. Ela diz que normalmente não explica as suas ilustrações, mas abriu uma exceção para dizer que ela simboliza que:

“Todos somos quebráveis, mas só a partir do momento em que abraças essa possibilidade, te tornas inquebrável”.

 

“Ilustração de elefante sobre canas de bambu por Fatinha Ramos”

A vulnerabilidade e resiliência da artista

Fatinha diz que, como artista é preciso ter uma história para contar e que precisas de te ligar com as pessoas. Para ela a única forma de o fazer é abraçares a tua vulnerabilidade, porque quanto mais um artista abraça a sua vulnerabilidade, mais dá a oportunidade de o seu público sentir ressonância e contactar com a sua vulnerabilidade individual.

No seu trabalho ela transmite a resiliência e a vulnerabilidade através das ilustrações, criando personagens que deixaram os seus países por serem perseguidos, ou foram vítimas de bullying ou de racismo, ou que são LGBTQ numa sociedade que não os entende, ou que são artistas femininas.

Para Fatinha todas estas pessoas são uma fonte de inspiração, pois abraçaram a sua vulnerabilidade e tornaram-se resilientes, e ela espera que através do seu trabalho outros também se inspirem.

“Resiliência e vulnerabilidade são lados opostos da mesma moeda, mas quanto mais abraças a tua vulnerabilidade, mais resiliente te tornas e te aceitas a ti própria”.

Diz-me nos comentários se já conhecias o trabalho da Fatinha Ramos e o que achaste desta história de vida inspiradora.

Fontes: fatinha.com | www.youtube.com/@TEDx | www.the-low-countries.com | arquivos.rtp.pt | www.moma.org | vistaalegre.com

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